EM BUSCA DA SEDE

O Brasil é um país marcado por contrastes visíveis. Em praticamente todas as cidades, convivem lado a lado equipamentos públicos subutilizados, espaços abandonados e comunidades que carecem de ambientes seguros, organizados e supervisionados para o desenvolvimento de seus jovens.

Campos esquecidos, prédios vazios, áreas públicas degradadas e estruturas desativadas não são apenas sinais de abandono urbano. Eles representam oportunidades interrompidas. Onde não há cuidado institucional, surgem lacunas sociais — e essas lacunas são quase sempre preenchidas pelo risco, pela evasão e pela perda de vínculos comunitários.

O futebol, nesse contexto, revela-se mais do que um esporte. Ele é uma linguagem universal, um ponto de encontro espontâneo e, muitas vezes, o único espaço de pertencimento acessível a crianças e adolescentes. Quando deixado sem estrutura, o futebol resiste. Quando organizado, ele protege, orienta e cria referência.

A Vitrine de Craques Associação nasce da compreensão de que não é necessário criar grandes complexos, mas sim reativar o que já existe, dando função social, cuidado institucional e continuidade a espaços públicos hoje esquecidos. A ideia de uma sede não surge como uma obra imediata ou uma promessa vazia, mas como um horizonte estratégico: um ponto físico de apoio ao futebol social, reconhecido, supervisionado e integrado ao território.

Pensar em uma sede é pensar em proteção. É oferecer um ambiente onde o futebol não seja apenas prática esportiva, mas ferramenta de disciplina, convivência, autoestima e orientação. Um espaço que permita o acompanhamento adequado, o diálogo com famílias, a presença de lideranças locais e a construção de confiança ao longo do tempo.

Este manifesto não é um pedido isolado, nem uma reivindicação genérica. Ele é um chamado à reflexão institucional sobre o uso do espaço público. Em um país onde tantos equipamentos permanecem ociosos, a reativação responsável passa a ser uma alternativa concreta, sustentável e socialmente legítima.

A cidade de Santos, como tantas outras no Brasil, carrega em sua história urbana áreas públicas subutilizadas e estruturas que já cumpriram funções relevantes no passado. Olhar para esses espaços com responsabilidade social é enxergar neles a possibilidade de reconstrução de vínculos, não de improviso.

A Vitrine de Craques Associação compreende que qualquer avanço estrutural depende de diálogo institucional, viabilidade jurídica, transparência e apoio coletivo. A sede não é um fim em si mesma. Ela é um meio — um ponto de convergência para o futebol social organizado, para a proteção da juventude e para a construção gradual de oportunidades reais.

Estar “em busca de uma sede” é, antes de tudo, estar em busca de responsabilidade compartilhada. É reconhecer que o espaço público, quando cuidado e ativado com propósito, pode voltar a cumprir sua função original: servir à comunidade.

Este manifesto marca o início dessa busca. Não por um endereço, mas por um compromisso.

Por que Santos/SP?

Santos ocupa uma posição singular no contexto urbano brasileiro. Trata-se de uma cidade com alta relevância histórica, forte presença institucional, infraestrutura consolidada e papel estratégico na dinâmica regional. Ao mesmo tempo, como em muitas cidades brasileiras, Santos convive com contradições urbanas: áreas públicas subutilizadas, equipamentos desativados e espaços que já cumpriram funções relevantes, mas hoje permanecem sem destinação social clara.

Esses vazios urbanos não são exceções. Eles fazem parte de um processo comum às cidades que amadurecem, se transformam e, muitas vezes, não conseguem acompanhar com a mesma velocidade a readequação de seus espaços públicos. O resultado é conhecido: estruturas ociosas coexistindo com demandas sociais reais, especialmente no que diz respeito à juventude e ao acesso a ambientes organizados e supervisionados.

Santos reúne características que tornam esse debate particularmente pertinente. A cidade possui tradição esportiva, histórico de políticas públicas voltadas ao esporte e uma malha urbana onde o futebol já ocupa papel simbólico e social relevante. Em diferentes regiões, o campo, formal ou improvisado, continua sendo ponto de encontro, referência comunitária e espaço de convivência intergeracional.

Ao mesmo tempo, a pressão urbana, a limitação territorial e a complexidade administrativa tornam ainda mais valiosa qualquer iniciativa que proponha reativação responsável de equipamentos existentes, em vez da criação de novas estruturas desconectadas do território. Reaproveitar, reorganizar e ressignificar espaços públicos é, hoje, uma alternativa urbana mais eficiente, sustentável e institucionalmente madura.

A Vitrine de Craques Associação enxerga Santos não como um caso isolado, mas como um território-piloto possível. Uma cidade onde a articulação entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada pode demonstrar, na prática, como o futebol social organizado pode operar a partir de um espaço físico legítimo, integrado à cidade e reconhecido institucionalmente.

Importante destacar: não se trata de apontar falhas específicas, nem de estabelecer diagnósticos acusatórios. Trata-se de reconhecer uma oportunidade urbana existente. Onde há estrutura ociosa, pode haver função social. Onde há campo abandonado, pode haver referência comunitária. Onde há espaço público esquecido, pode surgir um ponto de proteção, orientação e pertencimento.

Escolher Santos é assumir um compromisso com a responsabilidade urbana. É compreender que a construção de uma sede não começa com obras, mas com diálogo, planejamento e viabilidade. A cidade oferece o contexto. A associação oferece o propósito. O encontro entre ambos depende de maturidade institucional e cooperação.

Por isso, Santos não é apenas um local desejado. É um território coerente para iniciar uma experiência que, respeitando limites legais e urbanos, possa servir de referência para outras cidades brasileiras.

Contamos Com o Apoio Incondicional

Articulação entre poder público, entidades do futebol e iniciativas comunitárias em torno de um propósito comum.

  • Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Instituição máxima do futebol nacional, responsável pela normatização, fomento e coordenação da modalidade no Brasil.

  • Federação Paulista de Futebol (FPF) Entidade responsável pela organização, desenvolvimento e regulamentação do futebol no Estado de São Paulo.

  • Governo Federal, no papel de articulador de políticas nacionais voltadas ao esporte, à juventude e à função social dos espaços públicos.

  • Governo do Estado de São Paulo, pela sua tradição em programas esportivos, formação de base e apoio a iniciativas estruturantes.

  • Poder público municipal, representado pela Prefeitura de Santos, como guardião do território urbano e das políticas locais de esporte, educação e inclusão social.

  • Futebol de várzea, expressão legítima, histórica e comunitária do futebol brasileiro, onde o esporte cumpre papel social direto e cotidiano.

Ressaltamos de forma transparente: esta não é uma declaração de apoio formal já estabelecido, nem uma atribuição de responsabilidades. Trata-se do reconhecimento de que o êxito de uma iniciativa como a Vitrine de Craques depende da convergência institucional, do diálogo técnico e do respeito às competências de cada ator envolvido.

A associação se coloca, desde já, à disposição para construir pontes, apresentar projetos, ouvir diretrizes e operar dentro dos marcos legais, urbanos e institucionais que regem o uso responsável do espaço público.

Acreditamos que, quando propósito social, território e instituições caminham na mesma direção, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.